Sobre ser constante


Coloquei uma máscara facial e sentei-me na frente do notebook. Depois de um certo tempo, as palavras já não escorrem pelos dedos com tanta facilidade, as frases param de fazer sentido e os parágrafos já não ganham sentido sozinhos. É o que acontece quando, por um longo tempo, você simplesmente para.

Eu parei, não por vontade própria, os textos foram se escondendo entre folhas de cadernos e timidamente já não quiseram ser expostos. Nada parecia correto o suficiente. Nada parecia bom o suficiente. Eu não parecia boa o suficiente. É difícil quando tentamos algo por muito tempo, batendo nas mesmas velhas teclas e já não adquirindo nem os velhos resultados. 

Minha vida correu, os e-mails lotaram, a faculdade passou sofrida. Me inscrevi em cursos que não consegui terminar. Perdi pessoas que abriram em mim um buraco, que mesmo remendado ficou oco. Não dei o meu melhor em momentos em que sei que poderia. Gastei horas de terapia para resolver questões simples. Não fui eu. Simplesmente, me apaguei no meio de uma bagunça que parecia irresolvível.

Agora, sinto as coisas encontrando novos, e certos, lugares. Assisti à série inteira da Marie Kondo e agradeço por todas as coisas que não fazem mais parte de mim. Sinto a "alegria" irradiando daquilo que permaneceu. Espero encontrar espaço para tudo e não me perder em coisas acumuladas, em pilhas e pilhas de coisas que nem são mais minhas. Espero conseguir organizar as tarefas e não deixar de lado as coisas que fazem de mim quem eu sou, na mais pura essência. 

Não posso garantir a frequência em que aparecerei por aqui, mas depositar sentimentos em linhas faz parte de quem eu sou, intrinsecamente. Não posso garantir que vou manter a calma e o equilíbrio, mas posso garantir resiliência todas as vezes em que eu ver que estou no chão. Não posso garantir força, mas posso garantir que minhas fraquezas não serão muletas. 

Não posso garantir regularidade, mas posso garantir constância. Porque constância não é bater nas mesmas teclas. Não é insistir nos erros na esperança de acertos. Não é se orgulhar dos resultados obtidos. É caminhar por lugares desconhecidos na esperança de chegar ao destino. É persistir no objetivo tentando novas formas de alcançá-lo. É se orgulhar dos aprendizados construídos em cada falha. E constância é a palavra para meu 2019.

Júlia

21 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e sonhadora em tempo integral.

Um comentário:

  1. O melhor a fazer é fazer tudo a seu tempo, nada forçado faz bem ;)
    Sinto muito pelas transformações que 2018 te impôs assim tão sem gentileza, espero que 2019 varra o que foi ruim pra longe, e que as coisas boas e remanescentes se multipliquem.
    Beijos rimados pra você :*

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