O que eu preciso dizer a vocês sobre o dia da mulher

   Há quem diga que o dia 08 de março é o dia internacional da mulher é uma data alusiva a um incêndio ocorrido em em 1911, em Nova York, onde cerca de 130 mulheres operárias morreram carbonizadas. O incidente aconteceu no dia 25 de março daquele ano, mas foi o pontapé inicial para uma série de movimentos feministas no século 20. O primeiro dia "nacional" da mulher aconteceu em maio de 1908, nos Estados Unidos, onde várias mulheres se uniram em prol da igualdade de direitos políticos, econômicos e sociais.

   Enfim, o que nos interessa saber é que diversos movimentos e manifestações femininas tiveram que ocorrer para que, além de haver uma data especial para a mulher, exista também maior participação na sociedade. O dia 08 de março deve ser visto como uma data para mobilizar as pessoas, fazê-las olhar através dos olhos de uma mulher, de qualquer mulher, de todas as mulheres. De olhar para elas e perceber todas as violências, agressões, assédios e desigualdades que assombram a vida de cada uma delas.

   Quando me perguntavam se eu era feminista, eu nunca soube dizer. Eu queria a igualdade de direitos, achava que sim, que mulheres mereciam o seu espaço na sociedade, seu espaço no mercado. Em contrapartida, não entendia o ódio aos homens que era disseminado em redes sociais como sendo um "movimento feminista", não entendia toda essa ânsia por mostrar-se superiores aos homens, por mostrar ao mundo que são independentes, que fazem tudo o que eles fazem duas vezes melhor e que não precisavam de homens para viver. Eu tenho meu pai, homem de família e chefe da casa. Tenho meu namorado, que é ótimo comigo e que eu adoro agradar. Mas isso não me fazia uma feminista segundo tais concepções. 

   Estudando, lendo, abrindo minha cabeça, fui percebendo que o feminismo não é a superioridade da mulher. E sim a igualdade dela perante o homem. Não é usar de todos os espaços oferecidos, mas sim o espaço que pertence às mulheres e está vago, pois os homens não podem utilizá-lo visto que simplesmente não os pertence. 

   E foi assim que eu descobri que sim, que eu sou feminista. Que sim, devemos lutar diariamente contra todos os fatores que nos impede de sermos plenas. Que devemos lutar pela igualdade salarial, pois ela está longe de acontecer. Que devemos lutar pelo direito de amamentar as crianças sem sermos julgadas. Que devemos lutar pela maior participação política. 

   E eu digo pra vocês, não acho que se deve lutar pelo direito de se usar short curto na escola, mas sim por uma educação e cultura que não nos apresente como pedaços de carne, que não faça com que a gente precise esconder nosso corpo ao invés de fazer entender que é só um corpo. Que não devemos lutar pelo direito de não nos depilarmos, mas sim por um mundo que não nos julgue pela aparência, um mundo que não nos deixe desempregadas pelo nosso cabelo rebelde ou falta de maquiagem no rosto.

   Honestamente, eu não quero lutar e nem provar pra ninguém que eu posso viver sem um homem. Eu quero lutar pelo meu direito de estar ao lado de um homem, trabalhando, vivendo, caminhando à noite, concorrendo, de igual para igual. Sem medos, receios ou frustrações. Simplesmente mostrar que, apesar de todas as diferenças que existem entre os dois sexos, a sociedade só estará em equilíbrio quando ambos ocuparem seus devidos lugares. Sem subestimar, sem superestimar, apenas conviver e respeitar.

   Feliz dia das mulheres à todas!

Imagem: We Heart It

Júlia Wentz dos Santos

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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