Senta aqui...

Senta aqui, deixa eu te contar uma coisa. 

Deixa eu te contar que eu tô morrendo de saudade de você, de deitar no seu colo e ter a impressão de ver as estrelas, porque mesmo que seus olhos não sejam negros como a noite, são profundos como o infinito. Te contar que tô com saudade do teu cheiro anestésico e da tua voz calmante. Tô com saudades de acordar do teu lado e ser puxada com força pra dentro do teu peito.

Deixa eu te contar que tô com saudade do abraço no domingo de manhã, no qual nem os tecidos impediam o toque das nossas almas, era abraço de calor, de bom dia, de fogo. Era abraço de amor. Tô com saudades do teu beijo, do teu gosto doce e do toque suave e faminto dos teus lábios nos meus. Tô com saudade das tuas mãos caminhando pelo meu corpo e se emaranhando nos meus cabelos.

Deixa eu te dizer que eu tô com saudade das tuas palavras doces e do jeito como você contava que havia se apaixonado por mim ainda no ensino médio, e quando antes de dormir você me prometia, não com palavras mas com carinhos, de que seríamos pra sempre. E eu acreditei nisso com unhas e dentes, pois parecíamos tão certos. 

Deixa eu te contar que esses dias o Ed Sheeran tocou Thinking Out Loud na rádio e eu lembrei de nós dois dançando pela cozinha enquanto o jantar não ficava pronto. Nós deslizamos pelos azulejos em uma valsa mal ensaiada que terminou com beijos entre risos e risos entre beijos. Porque era assim que tudo costumava terminar, com beijos. E tudo era motivo pra um beijo aqui e outro ali.

Tô com saudade da tua cara de sono no meio da tarde e das desculpas para não sairmos da cama nos finais de semana. E era ali que, se havia alguma desavença, tudo se certava. Jogávamos as roupas e os problemas no chão e nos aninhávamos entre os lençóis, nús de problemas, medos e desconfianças. Éramos apenas nós dois e o tempo a nosso favor.

Deixa eu te dizer que tô com saudade de dormir de conchinha contigo e de você reclamando do meu cabelo no seu rosto. Tô com saudade de deitar a tua cabeça no meu colo e te fazer cafuné até você dormir e te contar meus planos e sonhos mais secretos. Tô com saudade de te ouvir dedilhar no violão alguma música que nos tenha feito momento, de te ouvir dizer que aprendeu uma música só para tocar pra mim, mas que por falta de coragem, nunca o fez.

To com saudade de entrelaçar os meus dedos nos teus com a força que sela a parceria e o amor. Tô com saudade de você me puxando pelo braço pra um canto qualquer para que pudéssemos ficar sozinhos um tempo, em um tempo em que nós nos bastávamos.

Deixa eu te contar que eu andei pensando em deixar isso tudo pra lá, mas que eu não consigo. Que eu já prometi mil vezes pra mim mesma de que iria ignorar todas as memórias que insistem em reviver e seguir a minha vida em frente, enfrentando meus problemas. Prometi a mim mesma que iria arrumar meu cabelo e usar a minha melhor roupa, ir em alguma festa usando batom vermelho e que daria um jeito de tirar teu gosto dos meus lábios.

Eu não consigo. Deixa eu repetir, eu tô com saudades e é de você, das suas manias, dos seus beijos, dos seus abraços. Eu tô com saudade e é do seu gosto, do seu cheiro, do seu toque e dos seus sons. Que eu tô é com saudade de ti e que não há festa ou dose de tequila que vai tirar você de mim. Que não há nada nesse mundo que vai tirar você da minha cabeça.

Que não há dia nem noite, hora ou minuto, que não há ontem ou hoje. Só há eu e você.

Senta aqui, senta bem do meu lado. Deixa eu matar essa saudade toda.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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