Álbum

Você me deixou. Me deixou com duas xícaras de café em cima da mesa e uma cama de casal grande demais só pra mim. Você me deixou com um livro seu e esqueceu o pijama em cima da cama. Foi embora, mas deixou uma parte de você aqui, e eu não consigo te esquecer.
Já fazem dois dias em que tudo o que eu faço é chorar e pensar em nós. "Onde foi que eu errei? Onde foi que erramos?" Passa um filme de nós dois em minha cabeça, e todos os lugares da casa me assombram com pensamentos e memórias de nós dois. Foi no sofá da minha sala, por exemplo, que você me pediu em namoro, foi na calçada da minha casa que sentamos para olhar as estrelas. Foi pela casa inteira que espalhamos nosso amor. Bonito que foi, o nosso amor. Bonito enquanto durou.
Faço um álbum de fotografias mentais com tudo o que a gente passou, momentos lindos e também das nossas piores brigas. Lembro do nosso primeiro beijo, em uma festa cheia de gente e amigos comemorando que, até em fim, havíamos nos unido. Lembro do nosso começo, dos meus dias de timidez incessante ao teu lado e dos abraços que eu roubava nos intervalos. Lembro quanto tempo demorou para que eu conseguisse me sentir à vontade do teu lado. Tem também o dia em que você cansou, pela primeira vez, e foi embora antes de sequer começarmos algo. Aquele dia eu disse pra mim mesma que seria feita pra você.
De todos os momentos, lembro com mais intensidade daqueles em que eu estava afogada em teus abraços, tuas mãos, ora acariciando meus cabelos, ora dedilhando minhas costas. Lembro do teu cheiro de roupa limpa e banho tomado. Lembro do gosto do teu suor, da textura do teu beijo. Lembro de cada pinta no teu rosto e pescoço. Dentre tantas lembranças, eu tento entender porque errei tanto. Quando foi que me tornei assim, quando foi que comecei a te afastar de mim. Quando foi que você começou a desistir de mim.
Ninguém no mundo pode dizer que não tentamos. Tentamos mais do que podíamos, mais do que qualquer casal tentaria. Até o dia em que você foi, me deixando aqui, solta.
Eu sei, eu te disse pra ir tranquilo, que as coisas iam ficar bem, mas honestamente, se tem uma coisa que eu não estou, é bem. Tem dois dias que eu não como e que não saio do meu quarto. Parece que faz uma eternidade que eu não ouço a sua voz e tudo o que eu queria era ouvir um "eu te amo" sussurrado ao pé do ouvido, deitados na cama, na minha ou na sua, tanto faz. Tudo o que eu queria era dormir hoje e acordar amanhã ao seu lado, percebendo que não passou de um pesadelo.
Eu não queria te perder, mas eu não posso implorar para que você volte. O que eu posso te dizer é que, dentre todo esse temporal, eu ainda estou aqui, meio caída, mas inteiramente sua. Dizer que os dias vão passar e que talvez nunca venha o alívio, dizer que as xícaras de café que se completam vão continuar em cima da minha mesa, esperando você voltar. Dizer, bem baixinho, que eu te amo e que caso um dia você queira voltar, estarei esperando.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

Nenhum comentário:

Postar um comentário