Você nunca vai mudar

Você nunca vai mudar. Começo esse texto com uma afirmação aparentemente dura e cruel de mais, mas é verdade pura. Você nunca vai mudar. Eu repito. Repito infinitas vezes.
Você nunca vai entender os meus sentimentos, tampouco se esforçar para isso. Você nunca vai fazer esforços por mim. Você nunca vai entender que dividir meu dia contigo é tudo o que eu quero, quando, por exemplo, eu te ligo para o boa noite e você diz que simplesmente não pode falar comigo. Você diz que está vendo isso, lendo aquilo, olhando aquele outro. Ou você simplesmente se cala, eu me calo, e você não se importa. Você, na verdade, acha exagero quando eu imploro por atenção, quando eu explodo por não aguentar mais. Você acha que eu sou louca, diz que não tem nada pra me dizer, quando eu só quero ouvir que sim, que você vai se esforçar pra me dar um pouco mais de atenção.
Você se lembra no começo de tudo? Eu era do tipo independente, com minhas camisetas de banda tamanho masculino, coturno e olho sempre preto. Eu não precisava de você, muitas vezes eu nem queria você, e aí você veio, meio choroso e disse que tinha imaginado algo diferente pra nós. Eu disse que nunca ia mudar, você foi embora. Eu chorei, e decidi que, bem, mudar por alguém que nos faz bem não deve ser tão difícil assim quando a gente quer. Eu mudei. Meu deus do céu, eu mudei cada célula do meu corpo por você.
Me tornei dependente, me tornei parte de você, me tornei amor. Amor genuíno, amor cuidadoso, amor filosófico, amor em todas as partes. Te dei tudo o que eu tinha de melhor e de pior. Joguei meus traços em uma mesa e disse: é tudo seu, sou toda sua. Sua por inteiro, sem meias verdades e sem nada do que fosse metade. Eu me apavoro com metades.
Passei a dedicar cada segundo do meu tempo ocioso para você, te escrevi cartas, deixei bilhetes na tua cama quando eu acordava e você já tinha saído, te fiz cartões e tudo o que eu julgava importante pra te fazer feliz. Pra deixar um pedacinho do seu dia mais feliz. E eu me sentia feliz assim também. Até que eu cansei. Eu acordei cansada pra escrever um bilhete que você nem agradeceria, pra escrever uma carta que você não responderia. Muitas vezes até me cansei e não disse um eu te amo, por saber que você só responderia: eu também.
E eu te questiono, de maneira explosiva porque é o que acontece quando as coisas ficam guardadas, porque essa falta de atenção, essa falta de cuidado. Seria isso falta de amor? Eu aguentei por você coisas que eu prometi que nunca aguentaria, perdoei coisas que me doem até hoje, eu fiz tudo por amor. E aí, eu falo pra você tudo, abro meu coração, mergulho nas minhas entranhas pra tirar de lá as palavras que estão impregnadas e você sequer responde. Eu te peço perdão pelos meus sentimentos. Desde quando alguém deve pedir perdão por sentir-se só em um relacionamento? Desde quando deve-se pedir perdão por amar?
E fico, mais uma vez, na espera da tua resposta. Na esperança de que, talvez, você vai mudar, que vai me ligar quando eu menos esperar, que vai me falar sobre amor e nunca mais vai deixar eu me sentir assim. Desamada. Desalmada.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

Um comentário:

  1. Se nunca vai mudar, pra quê insistir? Leva tua vida do jeito gostoso que ela deve ser. Saiba amar, saiba ser amada, mas também saiba se valorizar.

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