Superficial

*Música do post
Torn by Natalie Imbruglia on Grooveshark
Hoje meu coração acordou pesado. Tinha tudo para ter acordado leve, acordei ao teu lado. Mas acordei longe, dormi longe também e nem senti você me puxar para perto de você no meio da noite. Acordei exatamente onde eu deitei. Longe.
Eu havia esperado por você durante dias, contando os minutos, como diz o Esteban "Eu bebi saudade a semana inteira", pra descobrir que você ainda pensa nela. Eu sei que não podemos comandar nossos pensamentos, mas a gente pode se esforçar. Droga, cara, eu faço de tudo pra chegar mais perto da minha definição de "perfeição" só pra você me notar e você ainda pensa nela, lembra dela. Chego a conclusão de que você ainda gosta dela. Chego à conclusão de que você nunca vai ser meu como você é (ou foi) dela.
Eu, sinceramente, queria saber o que ela tem de tão especial que eu não tenho. Você diz que ela é meu oposto, droga cara, você pensa em uma garota que é exatamente o oposto de tudo o que eu trabalhei pra ser pra você. E você pensa. E você gosta.
Tudo bem, todo cara gosta de ver uma garota que tira fotos na frente do espelho e com as amigas na balada, de copo cheio e cara de quem já bebeu além da conta. Ela é assim. Enquanto eu, posto algumas "selfies" comportadas mescladas às frases dos meus livros. Essa é a minha definição de "perfeição", hoje eu sou quase como eu sempre quis ser, e sinceramente, cara, eu não vou mudar. Eu me orgulho por ser como eu sou, e não ser como "mais uma delas". Você até gosta do meu jeito, eu sei. Mas você pensa nela. E você gosta.
 O nome dela perfura meu coração como se fossem estalactites de gelo. Pontudas e frias. Eu me torno fria. Eu congelo, eu me arrepio. Eu implodo em raiva (pois percebi que explodir não faz efeito). E você fica me olhando, nada te atinge, e ainda acha normal, chama o que eu sinto de "exagero". Juro que vez ou outra eu penso em fazer algo do tipo, só pra você sentir na pele tudo o que eu sinto. Mas eu não consigo, eu sou sua e meu passado já não me pertence, eu também já não pertenço mais a nada daquilo. Pertenço a você, vez ou outra penso que, infelizmente, pertenço só a você, já que você não pertence só a mim.
E eu me vejo em um beco quase sem saída. Eu me vejo com água até o pescoço, e quando eu penso que você vai me salvar, você me solta novamente e eu afundo. Com o coração pesado, feito pedra. A gente tem dessas, eu sei, mas eu tô começando a achar que já é demais, to ficando pesada demais. Cheia de mais. O problema é que eu já perdi as esperanças da sua mudança. Confesso, eu também já fui assim, já amei assim quase que pela metade. Mas quando eu me joguei, ficou tão melhor. Tão mais amor. Eu queria que você pensasse assim, que você se jogasse assim pra mim. Que você largasse o seu passado em uma caixa, como eu fiz. Eu queria que você pensasse em mim. Só em mim. Eu queria ver você apaixonado. Apaixonado por quem eu sou, de verdade, desde o fundo até a superfície. Sem ser superficial.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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