Imagens, sem ação

As vezes eu me imagino na frente da sua casa, e eu lembro todos os detalhes dela -mesmo que eu evite ao máximo passar pela sua rua-, com um violão tocando alguma coisa que eu sei que você gostaria de ouvir saindo da minha boca. Eu podia estar desafinada e tocar a música toda com um sol, mas você valorizaria meu esforço. Eu podia estar de pés descalços, você não ligaria, e diria que é tudo o que você sonhou. Vezes eu me imagino correndo atrás de você em plena Paulista, ou em uma praia deserta do nordeste, em um desses lugares onde encontrar por acaso não existe. Eu correria atrás de você, livros e papéis nas mãos e o cabelo meio preso, mas você reconheceria meus traços, e eu sei que você valorizaria cada passo que eu dei para chegar até você. Você diria que era cena de filme e que o nosso final seria feliz. Eu sinto falta das suas palavras doces sempre sabendo dizer tudo o que eu gostaria de ouvir, você sabia o que eu precisava e eu nunca entendi qual era a tua, se era conexão ou experiência. 

As vezes eu imagino nós dois em uma casa de camping, você reclamando das moscas e mosquitos e eu rindo de você, porque você tem espírito de menino de cidade grande, mesmo tendo nascido no interior. A gente riria juntos e aquele seria o momento perfeito, porque você sabe: tudo o que eu preciso é um momento bem vivido, um cafuné e o máximo de atenção possível. Você sempre me deu o impossível. Você me acostumou mal, me deu a vida é um pouco mais. Mas no dia que nós deixamos de ser, um buraco se abriu no meu peito, e no seu também, porque você sabe que algumas coisas só são quando acabam. Você sabe que nós ainda somos alguma coisa, e é por isso que eu me imagino em uma quinta feira indo em direção a você e todas as suas manias e problemas mal resolvidos que sempre me deixaram horas sem dormir. Seus problemas sempre foram meus também,  assim com o eu sempre fui sua. Não é impossível imaginar que vez ou outra você pensa em mim e até imagine coisas assim também, nós sempre fomos completos. Inteiros. Sem você eu sou pedaços, sou metades que não me satisfazem, sou quebrados. Sem você, sou eu e só. Apenas eu e minhas musicas velhas, meus livros rasgados e meu coração em pedaços.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

2 comentários:

  1. Algumas pessoas são parte de nós que andam por aí, é difícil se desfazer disso. Boa sorte pra juntar os pedaços e ser inteira de novo, mesmo que com algumas rachaduras.
    Beijos rimados pra você :*

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    1. Obrigada pelo comentário Vih!
      A verdade é que nunca ficamos inteiros quando alguém parte (e nos parte), pois sempre levam consigo um pedaço de nós. Cabe aprender a conviver com essas falhas e buracos, preenchendo-os com outras coisas e outras palavras.
      Beijos

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