Meu medo

Eu tenho medo que um dia você suma de vez, me deixe sem pistas e sem saber para onde caminhar. Que você mude o seu número de telefone e a secretária eletrônica me deixe com o coração -mais- partido, ao dizer que seu número está desligado, e de novo, e de novo, e de novo... Eu tenho medo que você mude seu endereço, e quando eu tocar o interfone daquele apartamento e uma senhora de 70 anos e voz rouca me diga que você se mudou e não lembra se você foi pro norte ou para o sul.
Morro de medo que um dia você se canse, me quebre e me esqueça em algum lugar qualquer. Que se sinta completo em outro abraço e trace novos caminhos ao lado de alguém. Eu tenho medo que você fuja, vá para uma ilha e veja todas as estrelas cadentes do céu sem mim.
Eu sei que errei, erramos, e que não faço por nós, mas eu fiz. Fiz mais do que eu podia, dei meu sangue por você, troquei minha vida tranquila e pacata por um turbilhão de emoções novas para mim. Nós nos amamos juntos, você lembra? Eu também sei que nos perdemos, mas eu não posso deixar que o tempo leve nossos restos. Tem dias, como hoje, que me alimento deles. Dos restos e ainda da esperança. Não posso viver sem a ideia de um futuro ao seu lado, e é disso que eu tenho medo.
Que quando estivermos prontos, a vida nos tenha levado para outros ares e que um dia a gente se encontre e nossas rotinas já não se encaixem. Eu morro de medo. Eu entro em pânico só de pensar. Por isso, todos os dias, lá no fundo da minha alma eu imploro para que o tempo conserve os pedacinhos que ficaram, as músicas que nos marcaram, as fotografias de qualquer lugar e a vontade de um dia sermos o melhor que podemos ser. Juntos.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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