Pegadas

E quando chega o fim do mês, uma dor sufoca meu peito. Enquanto passo todos os dias pelas mesmas paisagens que nós, em algum momento, passamos juntos, vou sofrendo, quebrando aos poucos. Chorei sua ausência mais vezes do que alguém poderia suportar, e a cada verso escrito, cada frase se formando no papel, vejo vestígios de você, do que nós poderíamos ser.
Agora, enquanto escrevo, me banho no silêncio dos que falam, enquanto minha mente silenciosa grita o tempo todo. Nenhuma música toca, ninguém interrompe meu jogo de palavras. Soaria tranquilo se não fosse pelo motivo de tudo. Lembrei de você ainda ontem, coloquei minha playlist mais triste e me afundei nesse sentimento. Não chega a ser saudade, pois saudade -como diz uma música- é o último suspiro da paixão. Penso que é nostalgia, a vontade de reviver algo que não volta nem com o maior dos esforços.
Enquanto passo por todas as nossas pegadas apagadas pelo tempo, lembro de cada movimento, palavra e sorriso. Lembro de cada pedido a Estrela cadente, cada desejo desesperado para eternizar os momentos que hoje não passam de histórias que conto por aí, para quem quiser ouvir.
Quando chega o final do mês eu percebo que meu coração pode pertencer a milhares de outros caras, mas a minha alma será sua, sempre.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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