Opção

Enquanto os últimos raios de sol do dia invadem meu quarto lembro do seu sorriso. O sorriso mais perdido que eu já vi. O mais lindo também. A música no rádio me manda ir devagar "slow down, your crazy child", mas mais devagar? Já não andei assim a minha vida toda? E você, acompanha meu ritmo ou está a quilômetros-luz na minha frente? Temo a segunda opção. Na verdade, a vida inteira temi a segunda opção, inclusive ser a sua. Eu preferia não ser opção nenhuma a saber que sou a segunda. Ao menos eu não ia criar expectativas e acordar cada dia querendo saber se ocupei meu lugar desejado. Ser a segunda opção dói, ainda mais a sua, já que você sempre foi a minha primeira.
Eu quis você desde o dia em que você me disse "oi" pela primeira vez, você deve ter feito alguma piada sobre o meu cabelo ou o jeito com que eu puxo o erre pra falar. Eu quis você aquele dia quando cantei Bonde da Stronda, e você, ao invés de entender a brincadeira pediu pra que eu continuasse. Talvez você estivesse só tirando com a minha cara, mas e daí? A música dizia que "é você, e não é mais ninguém" e todo aquele blá blá blá que eu achei que sempre entendesse muito bem. Mas tudo aquilo que eu acreditava sobre querer alguém estava errado, e eu só percebi aquele dia que você me mandou uma sms com aquela música, aquela que eu tomei secretamente como nossa. Eu achava que sabia sobre o amor até aquele dia que você me ligou sabe Deus de onde, a ligação estava ruim e eu não entendi metade do que você me dizia, eu achei que você estava terminando comigo, quando na verdade você estava só dizendo que me amava. O que eu descobri dois dias depois. E eu chorei, chorei a eternidade ao fim daquela ligação. Aquele momento eu já sabia que era você, e nós namorávamos a uma semana. Eu achava que sabia sobre ligações químicas até sentir o teu beijo embaixo daquela árvore, e começou a chuviscar e você me abraçou. Me abraçou com toda a força do mundo.
Caso você ainda não saiba, eu sei que é você. Pode explodir o mundo, eu posso viajar pra qualquer lugar desse planeta, quem sabe eu aterrisse na Lua ou no Afeganistão, mas eu ainda vou saber que é você. E não importa quantos caras eu conheça, não importa o quanto os olhos deles me penetrem, o quão macios sejam os seus cabelos e quão aconchegante sejam os seus abraços, eu sempre vou saber que é você. Que na minha, você é o meu final feliz. Talvez não seja, não sou muito precisa e gosto de extremos, mas eu gosto de pensar que sim.
Agora, estou na completa escuridão e odiando a sua ausência. Afoguei a vontade de ir bater na sua casa no meu travesseiro, não te liguei e não mandei uma sms com a música que eu tomei como nossa. Eu sempre me arrependo quando faço esse tipo de coisa, você sabe que eu me arrependo. Eu me arrependo porque não importa o que eu faça, eu ainda tenho medo de ser sua segunda opção. O que hoje eu sei e que eu até então não sabia é que pra mim, você não é opção e nunca vai ser. É a minha imposição, determinação. É a ordem do meu destino. Mas você sabe, eu não sou muito precisa e gosto de falar sobre extremos.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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