O que Cazuza não sabia sobre o amor

-Música do Post- 

  Houve um tempo, em que eu implorava por calmaria. Eu desejava um pouco de tranquilidade, principalmente ao meu coração que, depois de tantas quedas e quebras, já não tinha forças para continuar batendo descompassado. Já não podia mais aguentar as loucuras do amor.
  Depois de algum tempo, encontrei aquilo que Cazuza tanto quis: um amor tranquilo. Tranquilo mesmo, "com sabor de fruta mordida"e tudo. Cantei com Cazuza um milhão de vezes, e também supliquei por este tal amor. Achei, durante muito tempo, que este amor curaria todas as minhas dores e finalmente estabilizaria minhas batidas cardíacas. Durante muito tempo, acreditei que aí então ficaria tudo bem, pois seríamos "nós, na batida, no embalo da rede, matando a sede na saliva" e que isto bastava. O que Cazuza não sabia, e eu também não soube por muito tempo, é que mais do que matar a sede na saliva, precisamos, no fundo todos precisam, é aliviar a queimação da pele e saciar os desejos da alma, e isso, amor tranquilo nenhum pode fazer.
  Durante a vida toda, achei que poderíamos sempre "transformar o tédio em melodia", mas o que Cazuza não me contou, foi que a canção do tédio aos poucos mata qualquer amor, por mais tranquilo que seja. Mas Cazuza já dizia, e eu o parafraseava-o: "ser teu pão, ser tua comida, todo o amor que houver nessa vida, e algum veneno antimonotonia", porque aí sim um casal poderia desfrutar deste tal amor tranquilo que tanto buscamos - eu, Cazuza e mais um punhado de gente por aí-.
  Depois de encontrá-lo, por algum tempo, somos mais calmos que o próprio amor deve ser e nos damos ao luxo do nada cobrar e do pouco fazer. Apenas amamos, como se isso bastasse, como se isso segurasse a todos os laços. Laços estes que pouco a pouco se afrouxam, até estarem quase completamente desfeitos.
  O que Cazuza não sabia sobre o amor, é que um amor tranquilo embala uma rede, mas um amor apaixonado move montanhas se preciso for. O que Cazuza não sabia, e tampouco eu, é que o amor precisa do fogo e da pólvora para explodir, e não apenas queimar. Que a urgência da pele e dos lábios acontece o tempo todo "o corpo inteiro como um furacão, boca, nuca, mão e a tua mente não", e alma, porque o amor precisa de alma. Porque o amor é tudo e só não deveria ser tranquilo, porque amar é jogar-se em um abismo escuro e de mãos amarradas, porque o amor, verdadeiro, não tem volta.
  O que Cazuza não sabia sobre o amor, é que sorte, sorte mesmo é não tê-lo de forma tranquila.
  E que a fruta mordida, seca com o tempo.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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