Carta

Hoje eu pensei em te escrever uma carta. Nos meus planos, uma carta quilométrica na qual eu emendaria folhas e mais folhas só pra dizer que te amo, quantas vezes fosse necessário. Não consegui, não por falta vontade ou falta de qualquer coisa, mas sim por excesso, excesso de lágrimas inundando o papel e borrando cada letra escrita. Hoje pensei em mandar meu coração em um embrulho, uma caixa bem bonita de presentes, talvez eu usasse aquele embrulho verde que você tanto gostava, mas meu coração não parecia suficiente. Hoje, então, pensei em te mandar aquela foto da praia, nós dois sorrindo como se o mundo inteiro sorrisse para nós também, mas a foto da praia parecia apenas um momento de tantos que eu queria que você lembrasse. Decidi manter meu tradicional silêncio, boca fechada e sentimentos guardados.
Mal sabe você que dói em cada pedacinho de mim a sua ausência, dói em cada pedacinho de mim os risos que você dá e que não me pertencem, dói em cada pedacinho de mim cada coisa que muda na sua vida e eu não participo. Você diz que a culpa é minha, mas eu digo que é nossa. Ouvimos e acreditamos nas pessoas erradas, tanto eu quanto você e não venha me dizer que não, você sabe que é verdade. E em cada vez que eu achei que estivesse te recuperando, você sumia de vez, simplesmente parava de me procurar e também já não me respondia. Mais de mil foram as noites que passei acordada esperando uma mensagem, uma resposta ou um sinal que nunca chegaram. E então eu comecei a usar todas as táticas do mundo pra não sentir sua falta, pra não esquecer nunca seus detalhes. Fui ao lugares que íamos e usei o sabonete que você usava, e é tão bom sentir na pele o perfume que achei que nunca mais sentiria. 
Não que eu tenha decretado ou reconhecido o fim permanente, nunca. Mas estou aprendendo a desviar da saudade e da falta que você deixou em cada cada canto dessa casa. Você foi, nunca mais voltou e eu fiquei. Simples assim. E por isso que eu pensei em te escrever uma carta, pra contar que os dias sem você não têm sido fáceis, mas que eu vou levando como eu posso e que se você quiser aparecer aqui um dia, eu deixo. Pra dizer que eu esqueço, engulo todo meu orgulho se preciso for pra ter você de volta na minha vida, de vez, de verdade e pra sempre. 

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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