Você lembra?

Você lembra dos nossos planos? Você lembra que nosso casamento ia ser lindo, que meu vestido ia ser branquinho e de calda longa? Você se lembra que a gente precisava ensaiar mais a valsa, porque a gente não sabe dançar? Você lembra que a nossa casa ia ser na serra e que teríamos dois ou três cachorros correndo pelo pátio? Você lembra que íamos ter um estúdio de música e uma biblioteca? Você lembra que íamos viajar pelo Brasil e pelo mundo todo juntos? E agora, meu amor, olha só a que ponto chegamos. Eu aqui, lembrando de todas as nossas bobagens e brincadeiras e você aí, fazendo de tudo pra esquecer. Olha, meu amor, eu sei que nunca fui exemplo de namorada, de amiga, de conselheira e que sempre tive aquelas birras e manias bobas, que eu era meio durona, antirromântica completa, mas olha pra mim agora. Você queria tanto que eu mudasse, e eu mudei, mudei pra melhor e ainda espero por você. Olha só pra mim, ouvindo aquela playlist cheia de memórias e lembranças e deixando tudo escorrer pelos olhos por dias seguidos, procurando o filme romântico mais meloso que eu puder encontrar pra poder olhar e pensar que eu queria a gente daquele jeito.
Olha eu aqui, meu amor, sentada em frente ao computador sem saber direito o que fazer, sem saber se você está bem e sem um pingo de coragem pra perguntar. Olha só pra mim, meu amor, lendo suas cartas e bilhetes e as coisinhas que você mandava entregarem na minha casa porque dizia que era mais romântico. Eu nunca fiz o tipo romântica, né? Eu nunca respondi suas cartas, nunca mandei bilhetinhos de volta e nem nada disso. Mas olha eu aqui, meu amor, escrevendo algo que eu nunca vou te entregar, algo que você não vai ler, porque, meu amor, você sabe que eu nunca tive coragem pra essas coisas. Você sabe que eu sempre rezo antes de dormir, porque é uma daquelas manias que eu tenho e você ria, e você não sabe, mas toda noite eu peço para que o meu Deus proteja e cuide de você enquanto eu não posso fazer isso sozinha. E eu imploro, grito, berro, choro e grito mais um pouco, mas você não vem, meu amor, onde você se meteu? Você estava sempre ali, tão pertinho de mim, tão juntinho, agarradinho, morava ali, no prédio que dobra a esquina na rua depois daquele shopping que a gente foi juntos uma vez e passamos quase duas horas sentados só olhando um pro outro. Você estava sempre ali, ali pertinho e agora você me parece tão longe.
Você lembra que você disse que nunca ia me abandonar? Cadê você agora, meu amor, cadê?

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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