Infinito

Deitei em teus braços e descansei. Fora a primeira vez, em anos, que eu me sentia tranquila. Achei que nunca mais te teria de novo, daquele jeito. Já fazia tanto tempo que havíamos nos perdido, conhecemos outras pessoas, tivemos outros romances e paixões de uma noite, duas e até de verões inteiros, mas isso não importava agora, afinal, estávamos juntos, dividindo o mesmo cobertor. Você virou de barriga pra baixo, como você sempre teve o costume de dormir, e eu fiquei ali, observando os traços no seu rosto. O tempo tinha te feito bem, estava tão lindo, você ainda se parecia com o garoto que um dia eu havia me apaixonado. Passei a mão pelos seus cabelos, uma textura única, e me deitei ao seu lado, de frente pra você. Não sei quanto tempo eu fiquei ali, mas parecia que o tempo não havia passado pra nós, embora estivéssemos com vidas completamente diferentes. Eu sei que foi loucura minha insistir em passar as minhas férias de verão naquela praia que eu sabia que você ainda frequentava, mas eu precisava chegar lá, eu precisava ter a chance de ver você de novo, depois de tanto tempo. E você realmente estava lá, conversamos e fomos pra um barzinho qualquer e eu me senti tão jovem de novo. Seu riso era o mesmo, e seus olhos, ah seus olhos, tinham aquela cor que era só minha. Eu não sabia se agora ia durar, eu lembrei da minha mãe dizendo que o que é pra acontecer, vai acontecer, mas é que amores assim a gente nunca esquece, e agora eu estava ali, ao seu lado, e você dormindo, completamente indefeso. Pensei duas ou três vezes em levantar daquela cama e sumir da sua vida pra sempre, deixar você com as minhas lembranças boas, apagar o meu número do seu celular, mas pra que? Tudo por medo de você acordar e dizer que aquilo foi um grande erro e que já não tínhamos mais 15 ou 16 anos e chega? Mas eu não podia perder a hora mais bonita do seu dia, eu não podia perder você acordando, você me dando beijinho na testa de bom dia, eu não podia perder o espetáculo da natureza que é o sol matinal batendo nos teus olhos de esmeralda. Fechei meus olhos, respirei fundo e deixei todo o meu medo de lado. Era a última chance que eu podia ter com você, se não fosse pra ser agora, no meio da semana eu estava voltando pra cidade e retomando a rotina normal, como se tivesse sido uma recaída, sabe? Se fosse a nossa hora, bom, se fosse a nossa hora eu não ia te soltar jamais porque eu havia planejado cada passo para aquele momento acontecer. Se fosse pra ser, ia ser e ponto. Senti você se mexer e me puxar para perto de você. Naquele momento eu soube que deveria ficar. Pra sempre.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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