Final do Mês

E eu sei que ele ainda anda por aí, que talvez ainda carregue no peito os sentimentos pesados. E todo final de mês eu sinto um nó na garganta por saber que não o tive, novamente, no último mês que se passou. E todo final de mês eu sinto uma vontade de voltar para os braços que me abraçavam com firmeza, mas eu sei que talvez não fosse justo com ninguém. E assim eu vou seguindo a minha vida, sempre bem, exceto quando o final do mês chega, e eu sei que ele está tomando novos ares também, talvez tenha encontrado outro novo amor, outro alguém pra abraçar com firmeza e passar segurança.
E já faz tanto tempo que eu nem imagino, faz tanto tempo que essa oscilação acontece. E eu sei que ele anda por aí sorrindo, porque ele sabe bem como se faz, eu sei que ele ainda por aí crescendo e vivendo e sendo como ele sempre foi, incrível. Vez ou outra eu o espio pela janela secretamente, vez ou outra eu me escondo atrás do muro da casa dele, como uma criança faz, e jogo por cima do muro umas pétalas de rosa, porque ele sabe que as rosas podem mudar o mundo. Vez ou outra, quando chega o final do mês, eu canto uma canção que me faz lembrar dele, que me faz querer fugir pra outro planeta.
E eu sei que ele lembra, que ele sabe de mim, que ele morre de vontade de fazer acontecer a gente, mas ele sabe que agora não é hora, e talvez nunca seja. Porque eu sei que cada final do mês eu choro um pouco por dentro, mas cada vez eu controlo um pouco a mais, derrubo uma lágrima a menos. Não sei porque. E todo final do mês a vida é vazia e os olhos são marejados, porque eu preciso de uma luz que ele não pode me dar. E eu sei, eu não tenho culpa de toda essa angústia que me faz vagar por aí na esperança de encontrá-lo na próxima esquina. Ou na próxima vida.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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