Espera

Você chega de leve, como quem não quer nada e vai embora como um furacão que devasta tudo o que encontra pela frente. Você me encontra forte e me deixa bamba quase que em pedaços pelo chão da sala.
Você vai encaixando as peças sorrateiramente e depois desmonta todo o quebra-cabeças com um sopro gelado. Você é assim, é aquilo que junta e separa, o que fica e o que vai. Você me ganha com cada sorriso e depois me deixa banhada de lágrimas. E aí você cola os meus caquinhos como se eu fosse uma porcelana chinesa e depois me deixa ali, secando a cola com o vento enquanto você toma outros ares. Você me prende e me solta com seus braços que parecem feitos de ferro.
E mesmo depois de tudo o que já passamos e de tudo o que já foi dito, depois de todas as madrugadas que eu esperei por você sentada no chão, no canto atrás da porta e na janela. Eu fico olhando pela janela esperando você passar, você chegar, entrar e bagunçar tudo por aqui como você sempre fez. E mesmo antes de tudo isso, antes do que você possa imaginar, você já me deixava assim, zonza, caída pelos cantos.
E aí a gente vai e vem, sabe? Como se não fosse pra ser, mas fosse por insistência, como se quiséssemos tanto só por não ser possível. Como se o mundo inteiro conspirasse contra, mas fossemos contra a maré só pra provarmos para o mundo, e principalmente para nós mesmos, que nada é impossível. E quanto ao tempo que passamos e deixamos passar, bom, tentamos fingir que ele não existe, tentamos fingir que o tempo não existe, nunca existiu, a final lutamos contra ele desde sempre. E continuaremos lutando até que possamos tê-lo como aliado, quando os segundos nos unirem, quando os minutos nos fizerem bem e quando as horas forem de sorrisos.
Espero por você na janela, nos cantos da minha casa e até embaixo do tapete. Vou esperando por você aonde eu posso, enquanto posso e como posso. A final, fiz isso até então, continuarei fazendo até que você chegue e não vá mais embora, não me deixe mais aqui quebrada, em cacos ou colada ao vento. Quero você aqui, cuidando de mim, como deveria ser. Como fomos feitos para ser.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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