Dores

E hoje me doem todas as dores do mundo.

Me dói o quarto dia de janeiro e o beijo embaixo da árvore. Me dói a sexta-feira de maio e você me sentando no murinho, só pra ficar ali olhando a lua comigo. Me dói a semana fria de julho e os nossos cobertores e chocolates-quentes. Me dói o sábado de setembro e a grama onde sentamos por uma tarde, ou uma vida, inteiras. Me dói o verão  e as ondas que vêm e vão, com a mesma intensidade que nós. Me dói o final de semana de março e a tentativa de viver sem você. Me dói a Páscoa e os chocolates preenchendo buracos. Me dói junho e as flores que logo morrem e, agora, me dói o ano inteiro e tudo o que ficou de nós. Me dói o relógio e os contratempos que ainda me fazem lutar contra o tempo, só pra ver o tempo certo chegar.

Me dói, agora, cada palavra escrita, cada música ouvida, cada segundo percorrido. Me dói agora cada promessa de um futuro bom, tenham elas sido feitas ou ficado em silêncio. Dói porque a ferida não cicatriza, os remédios não anestesiam, não há anti-inflamatório que cure, água oxigenada que limpe nem gelo que desinche. Para as feridas do coração, só há um remédio eficaz, cujo nome me dói dizer.

Dói porque a esperança é alimentada, mas o destino está contra mim, nós. Guardo no peito agora, esperanças de um futuro bom, um futuro com o qual temos sonhado desde sempre.  

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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