Vai que...

Vai que a gente se encontra daqui a um mês ou dois. Vai que a gente se reapaixone, vai que a gente finalmente ache que tá na hora de tentarmos dar certo. Vai que você volte a morar na casa dos seus pais, vai que a sua mãe me convida pra tomar um chá e comer um pedaço de bolo de chocolate, só pra eu ver que você está lá de novo. Vai que o carteiro entregue minhas contas de água, luz e telefone acidentalmente na sua caixinha de correio, ou ao contrário. Vai que alguém ligue aqui em casa pedindo se é a sua, vai que aquela música que a gente dançava de pijama no quarto toque no rádio e eu lembre de você. Vai que você sente ao meu lado no ônibus enquanto eu vou pra faculdade, vai que você nem veja que sou eu, já que você sempre está distraído com os fones. Vai que você passe na frente daquela loja que eu costumo comprar sapatos e vê algum que é a minha cara e lembra de mim. Vai que aquela sua amiga que eu nunca gostei te leve pra uma festa, te dê um porre e você me ligue dizendo que ainda sente muita coisa por mim. Vai que eu encontre aquela foto que eu rasguei no meio do livro que você me deu de presente no dia do índio, simplesmente por eu ter te contado que tenho 1/4 de sangue indígena. Vai que você passe na floricultura e lembra que eu amo orquídeas e compra uma pra colocar no canto do seu quarto. Vai que, vai que, vai que. Vou me preparando pra todas essas possibilidades, porque vai que um dia você esteja parado em uma janela, sendo iluminado pela lua cheia, e você lembra que nada fora mais mágico do que o romancezinho que a gente teve certa vez. Vai que... né?

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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