Fotografias

E o tempo congelou naquele instante. Tudo ficou registrado, o que era preto e o que era colorido. O que eu vi e as coisas que apenas ouvi, senti. Tudo ficou guardado, na memória, nas páginas dos cadernos e no fundo da gaveta, como se fosse fotografia. Ainda posso ver, e rever, tudo aquilo: seus olhos quase desesperados pela incerteza, seu sorriso banhado pela réstia da lua que adentrava pelos vidros, os fios do seus cabelos balançando junto com seu tronco - para frente e para trás, para frente e para trás- e as suas mãos no parapeito da janela. Vejo também -depois- suas mãos trêmulas paradas sobre a minha cintura, minhas mãos nervosas percorrendo as suas costas, vejo seus lábios pousando nos meus e vejo -agora- todas as borboletas que voaram por aquela sala que estava praticamente na penumbra.
Vejo agora toda a simplicidade e a beleza que ficou escondida naquele momento. Vejo agora, por fotos mentais, que tudo aquilo construiu uma das minhas mais belas histórias, que o começo estranho e o final triste foram -quase- ofuscados pelo brilho do acontecido. Brilho este que não sei se vinha mais forte dos olhos ou do coração. E não adianta, tais registros ficarão para sempre em meu coração. Enquanto eu andar por aí, vou lembrar que aquele dia eu me senti completa. E fazem tantos anos, e nada se esvai, graças à uma coleção de registros fotográficos mentais. Hoje pra mim, você é apenas uma porção de fotografias.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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