O que eu posso ser pra você?

E hoje eu vejo o quanto perdi de você. Perdi tanto que já não tenho nada, e olha que nunca tive muito de você. Mas eu já fui seu porto seguro, seu melhor cafuné, seu desejo, seu refúgio e o abraço que você mais gostava. Hoje eu sou uma foto, uma memória, uma voz, um toque longe, um rosto a mais. E eu decido que quero ser mais do que isso mas não sei direito como fazê-lo.
Eu perdi coisa de mais com você. Eu perdi a chance de ser alguém de verdade pra você. Eu sequer me tornei um nome na sua lista. Sequer me tornei um nome na sua memória, e olha que isso me bastava. Ser alguém pra você lembrar. Eu lembro de você quando o sol brilha, quando alguém com seu cabelo aparece na minha frente e quando um sorriso radiante me é dado. E quando você falar assim comigo, eu imagino você sorrindo e gesticulando e rindo com sua risada alta e meio falhada. Eu imagino a sua voz que não parece sair do seu corpo.
Eu olho as suas fotos e penso em como você está agora. O quanto você cresceu, o quanto mudou. O quanto eu nem te conheço mais. E ao mesmo tempo percebo que você continua o mesmo, que ainda vê em mim um ponto de paz, uma maneira de se sentir tranquilo, de sentir que as coisas continuam iguais, mesmo que mudem. E eu farei o que eu puder pra deixar de ser uma foto ali, uma lembrança aqui pra virar uma música, uma história, um livro. Quero ser pra você o que você é pra mim. Quero produzir em você o efeito que você produz em mim. Adrenalina. Serotonina. Ocitocina.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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