Positividade

"E quem sabe o fim seja só um novo começo" pensou. Quantos amores caberiam ainda em sua vida? Teve o primeiro amor, ainda na infância, que roubara seu coração por anos e só o machucara. Aí veio seu segundo amor, que começou na infância e entrou na adolescência. Dele, ela roubara um beijo e só. Teve o terceiro amor e o primeiro namoro. Teve o tempo do vazio, da falta de sentimentos, dos beijos ocos, dos sonhos esquecidos. E depois veio um novo possível amor. E quantos amores caberiam em seu peito? Porque sim, ela ainda guardava cada velho amor ali dentro. E quantos beijos sem amor, beijos sem sabor, e de solidão ainda caberiam entre seus lábios?
E tinha ainda a playlist, que agora era selecionada com cuidado, pois determinadas músicas ainda traziam todo o peso do passado em suas letras. Todo o peso do coração partido e a sensação de nunca se recuperar. Todos os nãos e os "você não entende" que ela já tinha ouvido. "Eu não entendo? É você que não entende que eu amo você" - pensava.
Depois ainda perguntavam-na como ela podia ser tão fria e todo aquele blá blá blá habitual. Mas se soubessem um terço do que ela já passou por causa de amores e de promessas, ah, como eles virariam a língua antes de perguntar. Vamos ser francos agora, ela não é nenhuma princesinha, coitadinha e inha inha inha, mas ela tem o seu valor. Ela não é toda lindinha, embonecadinha, mas ela tenta, ela tem um sorriso tão verdadeiro que nunca vi igual. Ela não é queridinha, simpatiquinha mas ela sabe ter uma boa conversa, e cara, ela conversa sobre tudo, tudo mesmo.
O problema dela agora é o espaço. O espaço que ainda sobra no coração e o espaço de tempo que ela não quer percorrer sozinha. Preocupa-a também o espaço vazio na cama e o espaço que sobra na mesa na hora do jantar. Enlouquece-a o espaço que sobra no sofá, mesmo com ela deitada. Ela não gosta de muito espaço, então acaba enchendo tudo com almofadas na cama e sofás e quadros nas paredes vazias. Bota relógios também espalhados pela casa porque "tudo tem seu tempo", diz ela. E de tempo ela entende, ela é do tipo que, se pudesse, daria um tempo pra vida. Ela gosta de dar tempo às coisas e às pessoas. "Se acharem que tá na hora, que venham, que me procurem e que me digam que eu já posso voltar", e sorri. Porque ela não gosta que sintam que ela está sempre ao redor, que está sempre de vigília. Porque ela é do tipo que vai levando a vida do jeito dela, com a bagunça e as necessidades dela. Porque ela sorri quando necessário e quando o sorriso escapa, ela não força sorrisos pra parecer feliz. Ela esconde as lágrimas de Deus e do mundo, mas as deixa cair quando o silêncio é absoluto. Ela é dotada de uma simplicidade e de uma vontade de crescer que só ela sabe.
E mesmo com todas as coisas que a vida já lhe mostrou, com todas as falhas que ela teve que arrumar, com todas as bagunças que ela teve que organizar, ela ainda espera um final feliz "Se as coisas ainda estão erradas, é porque ainda não chegaram ao fim", ela canta. Canta como se sua voz pudesse mudar o mundo. Canta como se assim pudesse atrair tudo de bom que ela procura, porque ela acredita na plenitude, na alegria plena, no amor eterno e no final feliz.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

Nenhum comentário:

Postar um comentário