Universo Coração

E havia no céu uma única estrela. Parte de mim morava nela, porque ela era ele. O céu era o meu coração, e apensar da imensidão apenas uma estrela brilhava. Na verdade, dado brilho, intensidade e estabilidade, era um planeta. Eu habitava então o planeta que trazia o nome dele. Ou o planeta habitava em mim.
Não era uma supernova, visto que já era caso antigo, mas ainda não era velho a ponto de eu achar que o brilho se dava por causa dos anos-luz ao invés de ser pela real existência do meu planeta-estrela. Ele estava ali e vivíamos em harmonia, acostumados a viver um com o outro, um no outro.
Não lembro o dia em que tudo mudou, o brilho do meu planeta começou a se ofuscar, e eu olhava para o céu  e pedia ao universo para que aquele amor fosse eterno. Mas o que eu não sabia é que as estrelas que iluminam os planetas também morrem. Ou a estrela do meu planeta havia morrido ou ele vivia em um constante eclipse. Eu não sabia o que fazer para resgatar aquele brilho, procurei mil e uma maneiras de desviar o curso de um planeta e trazê-lo para mais perto e mim, para tirá-lo da frente daquilo que o escurecia. Não consegui. Descobri que a estrela que iluminava meu planeta havia morrido, ou adormecido-como prefiro pensar.
Às vezes eu sinto falta de ter onde me abrigar quando aqui faz frio, sinto falta de ter um planeta pra chamar de meu e para eu ser uma legítima habitante. Não que eu não pertença a aqui, mas eu gosto de poder me sentir viva em outros lugares. Hoje, quando eu olho pro céu no lugar em que antes estava o planeta (que como sua estrela adormeceu, saiu a procura de uma nova galáxia para orbitar)  vejo apenas um denso buraco negro, daqueles onde a nem a luz resiste, onde cada estrela que tenta se aproximar é sugada, onde não há chance de haver outro planeta. Faço de tudo para evitar sua expansão, mas vez ou outra sinto que ele cresce. Às vezes eu olho pro céu na esperança de encontrar uma estrela cadente que possa atrair meu planeta de volta, mesmo sabendo que provavelmente ele não volta, pois já está muito distante. Distante de mim e de todas as minhas luas, distante da minha galáxia e da minha gravidade. Distante de qualquer coisa que possa trazê-lo de volta.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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