Você some e eu somo.

O tempo me tomou de ti, te tomou de mim, nos tomou de nós. O tempo bateu e transformou tudo em pó. Eu sonhava em construir a minha vida ao seu lado, sonhava em ter a nossa casa, nosso carro e nossos cães. Eu já sabia o nome dos nossos filhos e o destino das nossas primeiras férias em família. Mas hoje eu acordei, senti seu lado da cama vazio, o lençol intocado, a coberta ainda arrumada.
E hoje, onde quer que você esteja, quem quer que você seja saiba que eu não me importo. Quem quer que esteja com você, o quanto quer que você tenha mudado, por mim tanto faz. Eu fiz tudo o que eu pude pra te manter ao meu lado, eu doei tudo o que eu podia pra te manter junto comigo, mas mesmo assim você foi embora, simplesmente porque não era pra ser. E se for pra tentar fazer dar certo, doe-se mesmo que doa. Eu doei, e como doeu. E nessa história engraçadinha de doer e doar, eu, bom, sai um pouco mutilada, mas ao menos eu sai com a cabeça erguida e a sensação de ter feito tudo o que podia.
Sabe, eu não sou de desistir assim, e eu não desistiria de você se não fosse necessário, mas como correr atrás de alguém que eu nem sei onde se encontra agora? Pra que correr atrás de alguém que fugiu? E eu me pergunto porque eu correria atrás de alguém como você, que por mais que eu amasse, nunca fez menção de segurar a minha mão quando eu estava prestes a cair no mais profundo abismo.
Não há amor em você, não há sentimentos, é como uma máquina. Automático. E mesmo assim, mesmo sabendo de tudo isso, eu me dei a chance de chorar por você, eu me dei a oportunidade de descarregar tudo, todo o amor e toda a raiva que eu pude sentir.
Hoje fazem exatos 2 anos, 2 meses e 1 dia desde o dia que eu prometi ser o último pra você. O último dia pra eu te amar, o último texto pra eu te escrever. Mas nesse tempo todo você ainda continuou presente em tudo, na minha vida, nos meus textos e não posso negar que, apesar dos pesares, ainda tem um lugar que é seu. Amanhã farão exatos 31 meses desde o dia que eu pude te ter. 31 meses que o dia que eu botei toda a esperança do mundo aconteceu. 31 meses desde a maior ilusão da minha vida.
E agora estou longe de casa, longe de mim, e longe de você, que eu faço questão de não lembrar, mas acabo me perdendo no tempo. Hoje eu passei pela calçada onde escrevemos nossos nomes com giz naquela tarde, onde fomos longe, em todas as tardes onde costumávamos ir distante e tirar um tempo para nós.  Não há mais nosso desenho na calçada, agora há desenhos de crianças, casas, sóis e sonhos.
O que eu tenho pra lhe dizer hoje é que eu agradeço por ter me feito sofrer tanto. É, eu agradeço, pois só um sentimento como aquele poderia me selar de tal forma que eu precise de alguém realmente forte e preparado emocionalmente para conseguir me machucar. Eu aprendi com você que a gente não pode simplesmente nos deixar levar por um sorriso bonito ou por um rosto de anjo. Não que você seja só beleza, sua personalidade é incrível, é admirável, mas você é o tipo que não sabe amar. Eu sei, isso tudo é fruto de uma ferida, de um buraco no seu peito, buraco esse que eu estava crente que poderia fazer sumir, tudo o que eu queria era poder te curar de todas as dores do mundo, mas tentando fazê-lo eu acabei destroçada.
Eu ainda espero pelo dia em que eu olhe para você e não sinta nada, que eu apenas o veja e não fique adentrando muito na profundeza de seus olhos. Não sei quanto tempo pode demorar para que isso aconteça, então é por isso que eu gosto quando você some. Você some e eu me somo com todas as coisas boas da sua ausência. Você some e o dia faz sol, e é por isso que hoje, quando eu acordei e senti o seu lado vazio eu simplesmente sorri, sorri abafando toda a dor que eu poderia sentir. Eu sorri e já sabia o que vestir, eu sorri e já sabia qual a cor do meu batom do dia, eu sorri porque eu sabia que ao menos hoje as suas luzes não atrapalhariam a minha visão.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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