Um pouco de flashback e flashforward

Hoje é o primeiro dia de dezembro e também o dia que, possivelmente, decidirá o resto da minha vida. Hoje é o dia do meu vestibular (sim, farei em uma única universidade). Bom, a um ano atrás eu me imaginava em condições completamente diferentes, eu imaginava que agora eu estaria indo morar longe dos meus pais, em um apartamento, prestando vestibular pra veterinária, que eu ia estar dando graças a Deus por estar saindo da escola e tudo mais. Nós costumamos a imaginar nosso futuro de acordo com o presente, sem considerar as mudanças que vão ocorrer no caminho, visto que muitas delas não são esperadas ou desejadas por nós. O que acontece agora é que eu vou prestar em uma universidade na cidade vizinha, continuar morando em casa e cursando licenciatura de biologia. Não que eu queira ser professora, mas pra mim é um bom começo, mas o que eu quero mesmo é me especializar em biologia e genética forense e trabalhar com perícia criminal.
Mas bom, não quero me adentrar muito sobre os meus desejos para o futuro, pois como eu falei ele só será assim se tudo se manter estático até lá, só se nada mudar. E as coisas mudam, graças a Deus as coisas mudam. Sobre as minhas mudanças nos três últimos anos? Bom, eu entrei no colégio novo sendo a "menina estranha" ou a "emo colorida" da turma, nunca me orgulhei ou me envergonhei com tais concepções, eu simplesmente ignorei-as. Eu não costumo ligar muito para a opinião alheia. Os meses foram passando e eu continuava a lutar com meu coração por causa de um garoto. Me obriguei a esquecê-lo, me apaixonei, namorei, amei, amei, amei até não conseguir mais amar. Meu segundo ano foi bom, continuei amando infinitamente e cada vez mais feliz, agora eu tinha amigos e alguém ao meu lado, mesmo que figurativamente. Terceiro ano começou difícil, esse ano me trouxe várias mudanças inesperadas, e muitas desesperadoras. Amei até que meu coração explodisse, até que eu percebesse que eu já não era mais capaz de segurar tanto sentimento e o deixei escapar, voar, passear ou seja lá como for.
Agora, dezembro está iniciando e essa época é sempre cansativa, mas este ano de 2012 está conseguindo se superar. Tem dias que eu não me conheço, que eu já não sei quem eu sou ou o que eu me tornei com o passar dos anos. Mas eu me faço aquela velha pergunta : "meu passado teria orgulho do meu presente?" Sim, com certeza meu passado teria muito orgulho do meu presente, tanto quanto eu tenho orgulho do meu passado. Estranho como eu não escondo meu passado de mim, não sou como aquelas pessoas que se envergonham por coisas que fizeram, não. Foram justamente essas coisas que me transformaram no que eu sou hoje, todos os meus erros e acertos fizeram com que eu chegasse aqui e "Eu não vim até aqui pra desistir agora [...] Minhas raízes estão no ar, minha casa é qualquer lugar e se depender de mim eu vou até o fim".
Agora dezembro traz consigo uma vontade de mudança, de renovação, uma vontade de sentir mais vontade de vida. Eu quero poder ter a certeza de que farei desta a melhor fase da minha vida, eu quero realizar sonhos e sonhar como nunca. Eu quero alguém comigo, alguém disposto a ouvir minhas explicações sobre a diferença entre uma gimnosperma e uma angiosperma sem reclamar e que ainda ria de mim quando eu tiver dificuldade para falar algum nome difícil. Eu quero criar laços, nós correntes. Eu quero ser, no presente, quem eu sempre quis ser no futuro. Meu futuro começa agora e eu não quero perder tempo vendo a minha vida passar pelo espelho retrovisor.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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