Narração.

Era tarde, passava da meia noite. Ela estava sentada em seu sofá procurando algo para assistir na televisão, queria algo que pudesse distraí-la. Passou por todos os canais, mas nenhum trazia nada que fosse interessante, ou ao menos novo. Depois de muito rodas pelas programações, acabou deixando em Dear John. Já havia assistido a aquele filme no minimo 3 vezes, mas tudo bem a história era legal e sempre lhe arranca umas lágrimas. Puxou a coberta mais para perto de seu rosto, sentindo o calor macio do apeluciado. Sorriu. Aquele filme, era acima de qualquer coisa uma lembrança. Um pensamento bobo a invadiu: "E se... Ah, deixa pra lá." Isso mesmo, e se ele ligasse agora? E se ele batesse na porta da casa dela? E se ele mandasse, ao menos, uma mensagem? Ela queria que ele voltasse, ela queria que ele estivesse ali com ela, compartilhando daquele romance embaixo do cobertor. Ela queria compartilhar com ele uns beijos, uns abraços, uns amassos, umas palavras, umas mordidinhas e até mesmo uns tapinhas bobos quando ele risse das lágrimas dela.
Quando foi a última vez que eles fizeram algo assim? Ela não lembrava, ela nem queria lembrar. A cada vez que ela lembrava ela queria ligar, ela queria correr atrás, ela queria pegar e ir para a casa dele de surpresa. Mas ela sabia que já não era mais tempo. Ela lembrou do jeito que ele a abraçava e agarrou o cobertor com força, cheirou o cobertor, conversou com o cobertor imaginando que fosse ele. Eu sei, agora vocês estão pensando que essa menina é maluca, mas eu digo-lhes, ela só é apaixonada. Mesmo que queira esconder, mesmo que não queira dizer, mesmo que se recuse a perceber ela ainda é apaixonada. Mas vamos manter segredo, por favor, ninguém pode saber, não contemos nem a ela.
Ela espera, sem medo algum, a volta dele. Não quer aceitar que já o perdeu, e muito menos que ele diga que a perdeu. Sabe, no fim eles são feitos um para o outro, apesar de não conseguirem ver. As horas não passam e o tempo os congela, precisam do calor um do outro. Precisam da pele na pele, da boca na boca, do olho no olho. Precisam, mas não admitem. E a vida agora vai separando-os cada dia mais, cada dia que passa a distância entre eles aumenta e quando ela perceber, já estarão como no filme que agora ela assiste sem prestar atenção. Malditos pensamentos esses que a assombram. Ela levanta, vai à geladeira e pega um copo de suco. Mas pera, suco de laranja não era o preferido dele? Era. Ela estava assim, tudo a levava até ele, tudo a fazia lembrar dele e ela nada fazia. Ela esperava por ele, ele esperava por ela. E desse jeito nunca se encontrariam, a menos que o destino desse uma força. A menos que o destino jogasse um na frente do outro em qualquer rua, em qualquer cidade, em qualquer lugar. E aí eles saberiam que são para ficar juntos. Enquanto isso ele vive sem ela e ela vive fingindo que não sente falta. Enquanto isso, eu como narradora, torço para que o fim os una, torço para que no fim eles fiquem juntos. E aí você vai me dizer que isso depende de mim, mas eu vou te dizer que isso está muito além de mim, que na verdade isso não depende só de mim. Vou dizer que a felicidade deles depende muito mais das minhas palavras, depende deles. É eles existem e estão por aí, são as muitas Marias e Pedros, Raquéis e Inácios, Julianas e Matheuses, Carlas e Lucases, Júlias e Albertos. E eu espero, do fundo do meu coração e do que me resta de amor aqui dentro que eles fiquem juntos no final. Que eles percebam o quanto precisam um do outro apesar de tudo. Apesar de todas as dificuldade e da hora errada, eles são o que há de mais certo no mundo.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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