Prometo, novamente, ser a última vez pra você.

Mandaram-me te procurar. Não o fiz. Cansei de ser sempre eu quem ia te procurar, cansei de correr atrás de você, que sempre se afasta quando eu posso o tocar. Agora a noite está um pouco fria, inverno interno em plena primavera. As flores marcam o caminho e cobrem as nossas pegadas, as flores tem cheiro da vida. Pensei que talvez, talvezinho, eu devesse te procurar, para te dizer tudo o que estava sufocando em meu peito. Peguei meu celular 2 ou 3 vezes, procurei seu nome na minha lista de contatos, você já não estava lá. Digitei seu número, que eu sabia de cor, apaguei, fiz isso umas 5 vezes consecutivas e desisti. 
Eu queria gritar com você, xingar você, dizer o quanto você foi idiota, lembrar o quanto você me machucou. Mas eu queria também dizer que fora você quem me salvara de mim mesma. Eu queria dizer que mesmo depois de tanto tempo, eu ainda acreditava que seria você pra sempre. Fiz um café e sentei-me olhando para as estrelas que brilhavam no céu, uma delas tinha o brilho tão intenso que por um segundo acreditei que ela me traria você. Viajei um pouco na imensidão do céu, desejando cair na sua terra, ao seu lado. Não que eu tivesse que caminhar muito pra chegar até você, mas qualquer passo que eu desse em sua direção teria a dor de uma faca penetrando lentamente em meu peito. Porque esse é o efeito que você tem em mim, você dói em cada célula que eu tenho, você dói, você perfura, corrói e depois pede desculpas, como se isso bastasse. Pra mim isso basta. 
Sua camisa azul listrada, seu sorriso meio torto e seus olhos cor de lama me grudam, me sujam, me absorvem pra dentro de você e eu absorvo todo o seu cheiro de amaciante, sabonete e perfume que eu posso no menor espaço de tempo possível. Te ponho em cada canto da minha sala clara, te penduro em cada parede com molduras coloridas. Sinto-me obcecada por ti. Saí em uma busca incessante por você, gritei seu nome em todas as avenidas que eu podia chegar, visitei seu barzinho preferido, pedi a sua bebida e ouvi aquela música que você disse que nos eternizaria. Hoje gritaram seu nome quando eu passei em frente ao local em que você costumava me levar, riram de mim, riram da inocência que eu ainda carrego ao pensar que no fundo você vai correr ao meu encontro quando a saudade bater.
 Agora escrevo esse texto como um último apelo ao meu coração. Escrevo como última tentativa de tirar do meu sangue a sua partícula viciante. Queria eu que você o pudesse ler e me ligar. Queria eu ter coragem de abrir a sua janela e mandar você o ler, para que você perceba que nunca nessa vida vai encontrar alguém que queira você tanto quanto eu quis e, por esses últimos segundos, quero. Queria eu que você não tivesse o signo que completa o meu, que você não tivesse o tamanho exato para mim e que você não fizesse parte da minha vida. Te eternizaria apenas na canção que diz que eu não sei porque diabos eu decidi te amar e não naquela que diz que eu vou te amar pra sempre, que não há ninguém como você. Realmente, não há ninguém como você, concentro-me em pensar que existem melhores que você por aí, e que eu logo encontrarei alguém para tirar você de mim de vez. Para que eu possa superar o insuperável, para que eu possa esquecer o inesquecível. Para que quando eu olhe para você eu sinta apenas alegria por ter conseguido me livrar de você. Livrar mesmo, e que Deus me livre logo dessa droga chamada você.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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