Uma ideologia qualquer.

Procurava uma aventura, uma nova esquina, uma viagem. Saia em busca da vida que não lhe pertencia. Corria em direção à praia, corria em direção ao mar, à vida. Procurava aquela coisa da boca na boca, do corpo no corpo, a pele na pele. Procurava o misturar dos cabelos e o separar das roupas. Via o futuro em museus e o passado na bola de cristal, no baralho de tarô. Ninguém lhe disse que fugir de si mesmo é uma fuga em vão. Nunca se preocupou em saber. Ia embora antes mesmo de entrar na vida de alguém, aliou-se à solidão e esqueceu que queria mudar o mundo. Procurava uma ideologia sem sentido, um estilo de vida a parte, exótico, excêntrico. A imensidão da vida nunca lhe perdoou por encontrar uma infinidade de desculpas para atravessar todas as barreiras impostas. Nunca chamou atenção e sempre foi notícia. Não compensa viver assim, ser levado a qualquer custo, a qualquer lugar, por qualquer pessoa. Fora jogado, largado mas voltou. Estendeu a palma da mão a uma cigana que lhe disse que seu futuro era incerto, mas sua  plenitude era certa. Seu jeito fora o mesmo e nunca preocupou-se, viveu não o lugar perfeito que lhe fora concebido, mas o paraíso perigoso que construiu. Era assim, tinha o próprio destino em suas mãos e fez exatamente o que devia ser feito, viveu.  

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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