O lado bom

Eu sou o tipo de pessoa que guarda o infinito dentro de si. Tenho milhões e milhões de galáxias inexploradas. Tenho água doce e pedras preciosas dentro de mim. Lógico, antes disso tem a lama, o lodo, antes do infinito tem os números insignificantes e nas galáxias os buracos negros. Mas quem não tem um lado pegajoso, pequeno e escuro dentro de si? O problema é que o meu lado escuro é a casca que me cobre, que me esconde. Poucas são as pessoas que cavam até o fundo, até o valioso. Poucas são as pessoas que não têm medo de se jogar e me encontrar de verdade. Entendo, posso assustar um pouco, mas chegue ao meu local brilhante e terá todo o frescor do mundo.
Porque eu sou assim, sou duas em uma. Não sou falsa, não sou duas caras e nem nada disso. Só aprendi a guardar o bom de mim para quem merece, e olha, quando encontro alguém que mereça eu pego a pá e a enxada e vou junto pra escavação. E se eu cansar, eu conto até o infinito e olho pras estrelas, pego na mão da pessoa e a levo pro meu melhor. Vez em quando chegam pessoas que não precisam de ajuda, nem de esforços, é só aparecerem e o lodo abre espaço pra que ela caminhe até as colinas verdes. É só chegarem que a nuvem negra vai embora e se abre o sol e as gaivotas começam a voar e tudo é um banho de mar.
As vezes chegam pessoas que aumentam meu lodo, para de chover e vem a seca, tudo se transforma em pedra, eu viro uma rocha. E quando essas chegam, eu sei, nada posso fazer, elas simplesmente não devem conhecer o meu melhor. Sempre tem um motivo ou explicação, muitas vezes parece ser sem sentido, mas no fim a vida mostra que eu nunca crio a camada de proteção em vão. Minha natureza é a mais certa e equilibrada do planeta. Minhas galáxias tem estrelas como nunca se viu antes, e os mais misteriosos buracos negros também, nos quais poucas pessoas tiveram a infelicidade de cair, ou serem jogadas por mim. Poucas são as pessoas que conhecem o meu lado bom.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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