O sinal fechou e eu resolvi atravessar a rua, era uma tarde movimentada de sábado, como todas são. As pessoas passam umas pelas outras e não se veem os olhos, apenas os pés com os passos apertados. É incrível como mesmo em um sábado, as pessoas estão correndo, atarefadas e sem tempo umas para as outras. Enquanto isso eu tinha todo o tempo do mundo e o meu mundo inteiro era uma só pessoa. Eu caminhava tranquila, sabia que você estaria lá me esperando, como sempre fez, você como sempre havia chego mais cedo, cabelo bagunçado e um sorriso no rosto. Você sempre teve aquele sorriso que misturado ao perfume me deixava sem sentidos. Eu acho engraçado o jeito que eu fico com você, não é um jeito muito comum à minha personalidade. Você é o único que consegue me deixar assim, de um jeito que eu sozinha não consigo explicar. Sou meio dura e aparentemente não sou tocada por palavras, na verdade as suas, e somente as suas, frases me deixam sem ar. Você realmente estava lá, mochila jogada nas costas e um olhar debochado. Eu cheguei, cabelo arrumado e olhar fixo em você. Como eu gostava de você, nem eu podia acreditar em tamanha afeição pelas suas feições. Te dei um abraço demorado, absorvi cada gotícula de perfume seu que podia estar na sua pele, e me afastei. Apenas isso, me afastei. Você sorriu sem entender o que eu estava fazendo, você sempre foi assim, sempre demorou pra entender as coisas. E aí eu escrevi um "gosto muito de você" no meu olhar e você não o leu. Você nunca leu nada do que eu escrevi pra você, não me importo. Eu saí, não queria te atrasar, afinal quem tinha todo o tempo do mundo era eu, e meu mundo era você, então eu tinha todo o tempo para o mundo. Mas você precisava sair correndo dali, e você foi. Eu sempre achei engraçado o jeito como você corre, meio tropeçando, meio saltitando, cabelos voando, perfume exalando. E eu ali, vendo você sumir no horizonte. Permaneci ali parada na calçada por mais 20 ou 30 minutos ou por 2 ou 3 horas, não sei, só sei que fiquei lá. Absorvendo cada detalhe da simplicidade do momento, querendo você de volta. Era noite e eu fui embora, passei pela rua da sua casa e ouvi você gritar com o videogame, eu achava aquilo uma graça. Eu achava tudo em você uma graça. Cheguei em casa e adormeci. Não tirei meu casaco, que estava com as gotículas do seu perfume. Me senti bem por você não saber de nada.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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