Pedaços.

Já é tarde e eu estou aqui tentando me convencer de que tudo não passa de engano e nada é mais do que coincidências. Eu estou aqui me perguntando o por que você iria me querer se você já tem tudo. Você tem os olhos mais brilhantes que as estrelas mais quentes do universo, seu sorriso é mais bonito que um por do sol na praia e seu cabelo mais macio que o algodão que cai da árvore em um fim de tarde onde a brisa beija nossa pele nos trazendo aquele frescor. E eu não podia falar de você sem falar da lua que iluminou a sua face quando eu te vi de verdade, quando eu analisei cada fio do teu cabelo e todas as cores dos seus olhos. Eu não podia deixar de lembrar que a lua estava cheia quando seu abraço completou o meu e que ela sorriu me prometendo que seria pra sempre. Ela mentiu pra mim. Ela se escondeu e você foi embora, tão rápido que eu nem percebi o que estava acontecendo. Só ficou sua voz chamando meu nome, ecoando em meus pensamentos, no tom mais baixo que eu já ouvi da sua voz. E hoje fazem anos que já não te vejo assim, exatamente hoje, quando eu mais te quis. Escrevo sobre você porque ainda é costume, você ainda faz parte de mim e eu não sou capaz de compreender tudo isso, pois é tudo muito complexo. Você é muito complexo. E podem se passar mais alguns anos e eu ainda vou lembrar de você, e eu ainda vou sentir seu perfume vindo me visitar, suas mãos envolvendo minha cintura. Podem passar mais alguns anos, todos os anos, e eu ainda vou complicar com cada garota que você beijar e vou odiar todas as suas namoradas porque eu ainda acho que eu seria melhor para você, porque eu ainda acho que eu te faria mais feliz, porque eu nunca te faria sofrer. Mas você nunca vai saber de nada e eu nunca vou te contar que chorei mais de 365 noites por você, que até hoje eu sonho mais com você do que com qualquer outra pessoa e que quase todas as noites você me abraça e nós somos felizes juntos, tal como realmente deveríamos ser. E eu odeio não conseguir olhar pra você sem parar e pensar que não há um nós e que talvez nunca mais haja. Que você nunca me levou pra jantar em um barzinho qualquer, que você nunca caiu na gargalhada depois de ver que eu não sei dançar em uma festa, que você nunca me acordou de manhã com uma mensagem, que nunca me ligou no meio da noite, que você nunca me levou pra sua casa e nunca me apresentou para sua família e que nunca dividimos um cobertor assistindo a um filme qualquer. Mas eu ainda tenho um pedaço de você em mim, apesar de tudo eu sei que nunca vou te esquecer, que eu posso amar outros caras e nunca mais te ver, mas vai sempre existir seu nome tatuado em um pedaço da minha pele, um pedaço do seu DNA nas minhas células, seu perfume no meu ar e sua face no meu coração.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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