Dificuldades no adeus

Você me deixou ali parada, chorando como uma criança chora por seu brinquedo que está quebrado. Você foi embora, como se fugisse de tudo aquilo. Deparei-me com a solidão, e eu devia saber que este amor não duraria para sempre. Aí você disse que não sabia o que tinha feito comigo, pediu desculpas pelo meu coração em pedaços, disse que sentia muito pelos danos causados, você negou tudo, negou até o que não era seu, e o que eu fiz? Nada. Deixei você ir e carreguei as culpas comigo, não suportei ter tudo aqui, não suportei saber todo o resto. Não havia nada pra eu saber. Mas eu não gosto disso, odeio fato você se parecer com a ressaca. Eu queria não ter acreditado em nada, queria eu não ter sonhado tanto, queria eu ter tido mais forças, mais jeito, queria eu não ter sido meio irônica, queria eu não ter sido tão boba. Mas eu fui, e aí você se cansou. Eu também tenho culpa nisso, mas o problema é que eu não consigo ver e agora eu fico aqui perdida, como se eu estivesse em um lugar desconhecido, como se eu não estivesse em mim, como se eu vagasse pelos pensamentos alheios. Eu ainda não sei ler mentes, tampouco compreendo a sua, mas eu sei que agora você já não lembra do que eu sou, do que eu fui um dia, você me conhece agora pelo que você vê de longe, você conhece minhas mãos pelos apertos de mão do dia-a-dia, você não conhece mais meu abraço tampouco meus carinhos. Pra você já não há sorrisos meus e nem o fogo do meu olhar. Você não lamenta e eu ainda tô aprendendo a esquecer, é uma pena que as coisas sejam assim, mas as pessoas vêm e vão, e às vezes elas voltam. Se um dia você quiser voltar, não tenha medo de se aproximar, mas seja um pouco mais cuidadoso, porque se tem uma coisa em mim que não mudou foi a facilidade que meu coração tem em ser partido. Você não quer me ver chorar mais uma vez.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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