um texto tipicamente atípico

Houveram tempos em que a frieza era minha melhor, e única, amiga. Sei bem que naquele tempo, eu poupava as palavras, e ainda as poupo quando necessário. Mas acho que vou conter-me a falar sobre a forma como eu poupava sentimentos. Ainda pergunto-me como aquilo era possível. As tardes eram menos longas, e as noites um pouco mais frias, tudo bem, já devo ter falado algo do tipo, mas preciso dizer que hoje ainda, quando olho pra quem eu costumava ser, penso em finais diferentes para meus atos, mas não os desejo. Bem, houve uma tarde atípica de terça feira, eu estava fora e bem, poupei um amor, não por completo, mas não o demonstrei, fechei meus olhos para escondê-lo, talvez fosse uma forma de proteção, ou talvez eu só não estivesse preparada para usá-lo. Não guardo arrependimentos, afinal, foi melhor assim. Quer dizer, sempre que você guarda algo, você pode usá-lo em outra ocasião. Guardei um sentimento dentro de mim, mas esqueci completamente a quem ele pertencia e hoje tenho comigo um amor inteiro, hoje posso usar esse amor com quem vale a pena, ou simplesmente guardá-lo para ocasiões futuras, agora tenho em mim todo o amor que eu consegui guardar em todas as tardes atípicas da minha vida, todas as vezes que eu fechei meus olhos pra esconder um sentimento, todas as vezes que eu neguei, e sabe o que mais? Amo ter guardado todo o sentimento e as palavras. Pessoas erradas não merecem os sentimentos certos.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

Um comentário:

  1. Algumas vezes é importante disfarçar o que realmente sentimos. Não é demérito. Trata-se apenas de uma defesa necessária para continuar um caminho maior do que parece num primeiro momento.

    O final está realmente conceitual.

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