The nights go on and on

Uma mesa de um velho bar, em um rua sem saída em New Orleans, alguns dardos sobre a mesa, e corações para partir. Seu nome, ninguém sabe, é um mistério, só o que sabe-se é que está sempre ali, jogando seus dardos, e quase sempre acertando alguns corações já machucados. Olha seu rosto embriagado no espelho, apenas o rosto, talvez o coração, frio e insensível. Não me surpreende que seja alguém tão solitário. Nunca reconheceu o amor, nunca sorriu, na verdade, não vou hesitar, nunca foi verdadeiramente feliz. Era apenas uma pintura da sociedade, presa em alguma parede de uma exposição qualquer. Era a sombra da cidade, andava em becos, com o olhar sempre baixo e a cabeça, e diga-se de passagem o coração, sempre vazia. Não gosto de olhar, é algo, que infelizmente, me faz fugir. Nunca gostou da luz, apenas dos candelabros e seus fogos tremulos daquele bar, era sempre o mesmo, naquela rua sem saída em New Orleans. Sempre vejo aquela figura ali, já me acostumei com sua presença e seu cheiro de vela queimada. Lá vai, mais uma sombra de tudo, alguém que a sociedade, infelizmente, pisou, virando a esquina, perdendo, mais uma vez a linha. Somente alguém a virar a esquina, mais alguém que ninguém vê. É lastimável que percam essa pintura de vista, mas infelizmente, ninguém sabe sua origem, nem como veio parar aqui, na verdade nunca ouviu-se nenhuma palavra vinda de sua boca. Só ouvimos os dardos, um a um acertando os alvos. Todos os dias. Velhos alvos, e aquele mesmo olhar cabisbaixo, todas as noites.

ps.: fácil é perceber minha paixão pela Ultraviolet '-'

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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