Algumas coisas nunca mudam.


Você mal abre os olhos e já está lá novamente. As mesmas paredes, você já as conhece tão bem, percebe cada nova rachadura, o mesmo teto, continua exatamente igual ao primeiro dia que o viu, tirando algumas sujeiras, a mesma mobília, quantas mil vezes você já quis trocá-la? A mesma bagunça de sempre, organizá-la seria perda de tempo, tudo já está a tanto tempo daquele jeito que creio que seus pertences saberiam o caminho de volta. Você chora, grita, rabisca as paredes, é bom mudá-las, mas nada muda, seu coração continua igual, preso dentro de seu peito. Essa sensação te perturba, sei bem como é, e você resolve jogar todas as suas coisas em uma mala e saí correndo pela rua, vai embora, procura outro lugar, conhece novas pessoas, coração livre, cabelos ao vento, um sorriso estampado em seu rosto. Você corre, está tudo perfeito, as visões, você até sente os toques e aromas, parece tudo verdadeiro. O sol brilha, você mal abre os olhos e já está lá novamente. Paredes, teto, mobília, bagunça. É engraçado, mas quanto mais você corre, mais foge, mais tem a certeza de que continua exatamente no mesmo lugar. Sentir o vento nos cabelos, deixa o sol bater no rosto, dance, pule, ria, olhe para as paredes, rabiscadas, elas são iguais, mas são engraçadas e ali é o seu lugar, tá, talvez não seja, mas é tudo o que você tem agora. Viva mais. Busque a liberdade dentro do seu próprio espaço, seja livre dentro de todos os limites que impõem a você. Sonhe mais, ria mais, chore mais, ame mais, acredite mais, e assim, tudo ficará mais fácil.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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