Memórias...

De voar com o vento, ser uma folha seca no chão, de seguir a estrada e ser nômade, de viajar para onde for, como um pássaro migratório, de criar asas, e como uma libélula, encantar os céus do verão.
Todos esses desejos ela já havia tido, era engraçado, mas hoje ela percebia o quanto havia mudado, as vontades que ela tinha té pouco tempo atrás já não estavam com ela, e a agitação havia fugido de seus olhos dando lugar lugar à uma paz quase inerte, quase entediante. Lembrava-se dos tempos em que corria na rua achando que realmente poderia ser uma libélula ou um nômade. Doce meninisse, que já dava lugar à irritação e afazeres da vida, cada dia mais corrida. Lembrava-se do primeiro amor e das primeiras lágrimas que caíram, lembrava de como começou a escrever, escrever para falar de amor, na verdade, ela sempre fez isso.
Sentada na varanda vendo as meninas mais novas preocupadas em como conquistar o garoto dos sonhos, lembrava-se o quanto já havia se preocupado com isso, e o quão idiota fora pensar que fulano iria se apaixonar por ela se usasse aquela blusa e colocasse aquela tiara.
Lembrou-se do primeiro beijo e de quão estranho, e ruim diga-se de passagem, isso fora, de todo mundo comentando e do rosto rubro.
Quanto tempo fazia tudo isso, ela não fazia ideia, mas tinha certeza de quão importante tudo aquilo, aqueles desejos intangíveis de criança eram importantes, o quão importante haviam sido para formar quem ela é hoje. Na verdade, ela não se arrepende de nada do que antes, ela se arrependia, tudo isso a trouxe aqui, tudo valeu a pena só por ela estar como está, viver como vive e amar como e quem ela ama, acima de tudo.
O dia passa, e ela vai dormir, mas antes ela registra tudo o que pensou, suas memórias. Ela me ajudou a escrever esse texto, já não sei, não sei se é ela ou se sou eu.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

Um comentário:

  1. quando somos invadidas por essas memórias é que descobrimos como poderiamos ser inocentes,quando não haviam demais preocupações, a não ser aquele garoto. Não é necessario arrependimento só a consiência de quanto aprendemos. E que nunca vamos abandonar aquela garota.

    Beijo Ju

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