Alguns disparos surdos, uma musica que não sai da cabeça e umas lágrimas que insistem em transbordar.

Ouviram-se disparos contra seu corpo. Disparos que ela já conhecia, vindos de uma arma que ela chamava "Vazio". Já não estava acostumada a sair sem o seu escudo, mas ela achou que já estivesse salva que qualquer tipo de ataque. A angústia e as palavras, últimas palavras, estavam engasgadas, não sabia o que havia acontecido, nem onde estava sua proteção, e acima de tudo, de onde haviam vindo os surdos disparos. Ela não via o "vazio", no céu algumas estrelas brilhavam para ela, aquilo a acalmava, um pouco, mas ela ainda não conseguia entender o porque daqueles disparos momentâneos, e como, onde... E parecia que ninguém se sensibilizava com seu estado crítico.
As lágrimas transbordaram quando soube, finalmente, que não estava sozinha e que o "vazio" não estava tão perto assim dela, e que os disparos só a acertaram pela sua falta de proteção, ela precisa se acostumar a viver sem seu escudo, seu colete a prova de disparos. Mas ela não sabia, e talvez demorasse a reaprender a sair como se nunca tivesse havido uma proteção, ela precisava ser mais cuidadosa novamente, precisava encontrar estradas que não fossem tão perigosas e com tantos disparos para ela.
Agora, tudo o que restava eram poucas palavras de consolo, a letra de uma musica que ela sempre ouvia, e lhe trazia de volta uma paz inexistente, mas não fazia as lágrimas pararem, lágrimas agora de alegria, lágrimas que certamente curariam as feridas causadas pelos disparos surdos do "vazio". Fechou os olhos e dormiu, na própria calçada, sonhou com a paz que ela procurava e com o único alguém que a poderia salvar. Tudo o que ela sonhou ela quer transformar em realidade, ela não quer perder nada.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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