Toda manhã, uma janela


E toda manhã é assim, o sol nem nasceu completamente e eu já estou sentada em um banco de ônibus, sozinha, com meus fones nos ouvidos e a musica a todo volume. Passo 1 hora por dia assim, enquanto, finjo, que durmo, observo pela janela as pessoas passarem na rua. Sempre quis saber o que cada uma delas pensa ou sente, sempre tive a curiosidade de saber mais sobre cada uma das pessoas que passa por mim todos os dias e que eu tenho a certeza de que nunca mais verei. As vezes chego a duvidar que todas aquelas pessoas sejam humanos, penso que são robôs destinados a estarem ali, aquela hora.
Escuto o que as pessoas falam dentro do ônibus, sempre as mesmas pessoas, sempre novos assuntos, é engraçado, mas eu nunca tenho novos assuntos, já cheguei a pensar que eu sou o robô desinteressante ali parado movido a musica. Única e exclusivamente a musica. Todos os dias vejo coisas, ouço coisas que nunca lembro, mas também coisas que não saem da minha cabeça. Todos os dias tenho 1 hora pra por minha vida em ordem. Minha vida num ônibus. Minha vida todo dia, minha sina, minha estrada, sempre andar na mesma linha, em direção a qualquer parada.

19 anos, taurina. Escritora de gaveta, cantora de chuveiro e futura CSI

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